sábado, 26 de julho de 2014

Parceria de Valter Barbosa & Stephen Messenger

A Ponte de Pedra, no bairro Cidade Baixa
(Foto: Stephen Messenger/Arcervo Museu
Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman)

Recebi via facebook um link muito interessante sobre um trabalho fotográfico que funde duas fotografias feitas em diferentes épocas de um mesmo lugar, tendo como protagonista a cidade de Porto Alegre. É um interessante resgate da memória da cidade, perspectiva tão abandonada por esses pagos. Compartilho a reportagem e a galeria de fotos, como divulgação deste resgate histórico.
Para ver a galeria de fotos, clique aqui.







Americano resgata história de Porto Alegre em montagens de fotos



Radicado em Porto Alegre há quatro anos, um jornalista americano está ajudando a resgatar a memória fotográfica da cidade e a propor um novo olhar sobre a capital dos gaúchos. Stephen Messenger, 29 anos, une o passado e o presente em montagens de fotos que retratam pontos de referência da cidade e alguns momentos históricos. 
Ambulância puxada por burros, em frente ao prédio da Prefeitura de Porto Alegre
(Foto: Stephen Messenger/Arcervo Museu Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman)


Ainda não batizado, o projeto surgiu há cerca de um ano está sendo publicado no perfil do autor no Facebook. O objetivo do trabalho, segundo o americano, surgiu da necessidade que ele sentiu em mostrar um lado da cidade que costuma passar despercebido pela maioria dos moradores e visitantes da capital gaúcha.

“Faço isso para mostrar um lado da cidade que as pessoas não notam. Você pode comparar as coisas de diferentes épocas. As pessoas estão diferentes, mas os lugares antigos ainda existem. Muitas pessoas vivem ou frequentam eles, mas não sabem o que são ou o que eles representam”, diz Stephen.

As ferramentas do jornalista são apenas um celular, uma foto antiga e um software de edição de imagens. Já o processo de montagem é feito em duas etapas. Primeiro ele busca uma imagem antiga da cidade na internet para depois tentar encontrar algum ponto de referência do passado que tenha resistido à ação do tempo e ao crescimento urbano. Feito isso, ele saca um smartphone do bolso e produz uma nova foto no mesmo ângulo da antiga.

O Mercado Público alagado pela enchente de 1941, os arcos da Avenida Borges de Medeiros, a Ponte de Pedra no Largo dos Açorianos e a Rua General Câmara (localizada no centro histórico da cidade e que era conhecida por Rua da Ladeira no início do século XIX) são alguns dos pontos revisitados por Messenger. Com as imagens em mãos, ele faz o “mashup” (mistura) entre o antigo e o novo registro.

A paixão por fotografia sempre acompanhou o americano. Natural de San Francisco, cidade que fica no estado da Califórnia, Messenger se mudou para o Brasil a trabalho. Ele conta que nunca tinha ouvido falar de Porto Alegre, mas depois de conhecer a cidade mais a fundo, se encantou e resolveu ficar.

“Eu não sabia nada da cidade. Rio de Janeiro e São Paulo recebem mais atenção fora do Brasil. E vi que Porto Alegre é uma cidade muito bonita. Percebi isso depois que resolvi morar nela. As pessoas são mais amáveis e a cultura é fascinante. Porto Alegre merece mais atenção por parte do mundo e espero que o meu trabalho fotográfico espalhe orgulho para os gaúchos”, diz o jornalista.

Resgate histórico na era digital
As imagens históricas que Messenger usa no seu trabalho tem como fonte as pesquisas feitas pelo administrador de redes Valter Barbosa. Os dois não se conhecem, mas juntos estão ajudando a resgatar a história fotográfica de Porto Alegre e a popularizá-la nas redes sociais.

Valter é administrador da página “Porto Alegre (Fotos Antigas)” no Facebook. Criado em novembro de 2011, o espaço é dedicado a mostrar imagens que resgatam a história da cidade. Em três anos de atualizações, a página já conta com cerca de 30 mil seguidores.

“Acho que esse trabalho é de máxima importância, pois todo mundo tem curiosidade em saber como era a cidade antigamente. Seja para percebemos a evolução da nossa capital ou as modificações que ela foi sofrendo com o tempo”, comenta Barbosa.

O material postado tanto por Messenger como por Barbosa não possui fins lucrativos. No caso da página de Barbosa, as imagens são compiladas a partir de blogs, sites de fotos como o Flickr oficial da prefeitura de Porto Alegre e o acervo histórico do Museu Joaquim José Felizardo, entre vários outras fontes.
Inauguração do Viaduto Otávio Rocha, no centro de Porto Alegre, em 1932 e atualmente
(Foto: Stephen Messenger/Arcervo Museu Joaquim José Felizardo/Fototeca Sioma Breitman)


Enquanto o trabalho de Messenger é mais artístico, Barbosa procura mostrar locais e fatos importantes que marcaram a história de 241 anos da cidade. Mesmo com métodos diferentes, ambos destacam a importância do olhar sobre o passado para a preservação do patrimônio cultural e histórico da cidade e a influência que ele tem na vida das pessoas.

“Eu penso que ver como esse lugares eram há muitos anos conecta as pessoas a uma história que é difícil de ver em decorrência da cara que a cidade possui hoje. Isso nos faz lembrar que Porto Alegre é mais velha do que qualquer construção que aconteceu nos últimos anos. Quando você vê cidades européias como Londres e Paris, por exemplo, se nota que as pessoas que vivem e crescem por lá estão inseridas em um ambiente que remete ao próprio lugar e a sua importância histórica”, conclui Messenger.

Fonte: http://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2013/10/americano-resgata-historia-de-porto-alegre-em-montagens-de-fotos.html

domingo, 13 de julho de 2014

O braço de plástico da República

A proteção do patrimônio cultural demanda que se tenha um envolvimento com objeto a ser protegido, através do conhecimento histórico, técnico, dos aspectos afetivos envolvidos e de uma cultura voltada ao respeito e valorização do patrimônio. Por isso, transcrevo um texto sobre o assunto escrito pela vereadora Lourdes Sprenger.


O braço de plástico da República
Lourdes Sprenger (*)

A memória histórica urbana de Porto Alegre desaparece a olhos vistos ante a indiferença das autoridades públicas. Este é um alerta que venho fazendo com a colaboração de alguns meios de comunicação, pois a cada dia, a arte pública de Porto Alegre continua abandona à própria sorte. Isto demonstra o grau de barbárie que está a dizimar os traços da nossa cultura. No entanto, é importante destacar que já vem de alguns anos a onda irrefreável de vandalismo, agora associado ao furto de bronze e de cobre.

Tanto é que num mercado de sucata da periferia da Capital foi resgatado o busto de Friedrich Engels, serrado em três partes. O bronze que serviu para emoldurar a figura do filósofo alemão foi vendido a R$ 3,00 o quilo. E o dinheiro, segundo apuraram as autoridades, serviu para compra de crack. Exemplos, porém, são fartos. Só na área do Parque Farroupilha, de onde desapareceu Engels, a falta de câmeras de vigilância e a deficiência dos serviços da Guarda Municipal facilitaram o desaparecimento de outras obras como a cabeça de Chopin, o busto de Annes Dias e, mais recentemente, o do médico alemão Samuel Hahnemann, pai da homeopatia, fixado no parque há 71 anos.
Sem forças para agir diante do vandalismo, Porto Alegre se distancia das cidades em que o patrimônio histórico urbano é admirado e preservado. Aqui, a prefeitura vem gradativamente retirando obras culturais do ambiente urbano para escondê-las dos ladrões e vândalos num espaço escuro e secreto, conhecido como ‘galpão das estátuas’. Por isso, tenho feito gestões junto à Secretaria de Meio Ambiente e à Coordenação da Memória Cultural na tentativa de obter informações e estimular um novo olhar do poder público sobre nosso patrimônio urbano.
Foto: Ricardo André Frantz
Nas minhas andanças para conhecer a real situação da arte urbana da cidade recolhi fatos que bem ilustram o drama de nosso patrimônio. Por exemplo: A República – estátua que faz parte do monumento a Barão do Rio Branco, na Praça da Alfândega - permaneceu longo período sem um dos braços. O mesmo foi refeito, com material original. Durou apenas 15 dias e foi novamente arrancado. 
Foto: Ricardo André Frantz
Por fim, os restauradores decidiram por um braço de matéria plástica. A solução custou R$ 3,00 (mesmo valor pago aos ladrões pelo quilo do bronze de Engels) e a República continua milagrosamente intocada desde então.






(*) Lourdes é moradora da Zona Sul e vereadora de Porto Alegre. Texto originalmente publicado no blog da vereadora: http://lourdesvereadora.blogspot.com.br/2014/03/o-braco-de-plastico-da-republica.html#more.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Reunião dos movimentos pela preservação do patrimônio

Pois toda a celeuma em volta de dois assuntos em especial, apesar de nos mostrar como anda maltratado nosso patrimônio cultural e de que existem muitos outros interesses envolvidos no assunto, algo muito interessante está acontecendo. As pessoas, e por tabela os movimentos, perceberam que precisam se unir para que a proteção de nosso legado seja efetiva.
Blog Moinhos Vive

Temos acompanhado alguns episódios esporádicos, que têm algum alcance social e até mesmo resultados. Um exemplo disso foi a mobilização popular e o desenrolar judicial que aconteceu por conta das Casas da Rua Luciana de Abreu. Esse é um processo judicial longo, que teve início com a intervenção da sociedade e que, no momento, encontra-se suspenso, aguardando uma definição do executivo, em relação do valor das casas. Nesse caso, fortaleceu-se o movimento Moinhos Vive, protagonizando a mobilização de boa parcela dos cidadãos de Porto Alegre, trazendo para a discussão a causa do patrimônio.
Blog Proteja Petrópolis

Mais recentemente, a palavra que entrou no dia-a-dia do porto-alegrense foi inventário. O procedimento de levantar dados e catalogar imóveis de valor já havia sendo feito na cidade. O bairro Moinhos de Vento e o Centro, por exemplo, já foram inventariados, mas sem a repercussão que houve no bairro Petrópolis. O que aconteceu de diferente de lá? O número de bens inventariados? Interesses econômicos? Apenas conjecturas. De concreto, muita discussão sobre esse instrumento de proteção, previsto em nossa Constituição Federal. E um projeto de lei aprovado, mas que afronta nosso sistema jurídico, colocando ainda mais em risco nosso patrimônio cultural. De positivo, a criação do movimento Proteja Petrópolis, que congrega moradores interessados na preservação e na divulgação de informações corretas sobre o procedimento e suas consequências.
Blog da Rede Metodista Confessante

Quase simultaneamente, um novo episódio chamou a atenção para outro instrumento protetivo chamado tombamento. Foi a notícia do leilão de uma “área nobre de Porto Alegre”, de cerca de 25 mil m², onde está localizado o Colégio Metodista Americano, escola que conta com cerca de mil alunos de Educação Infantil ao Ensino Médio. A comunidade iniciou uma grande mobilização em defesa desse patrimônio, pedindo o tombamento das áreas onde estão localizados o Americano e o Instituto Porto Alegre – IPA. Com página no Facebook, o grupo se identifica através do nome Tombamento do IPA - o teu nome, a tua história, honraremos. 
Embora esses movimentos tenham as suas particularidades, todos têm em comum a preocupação com a preservação dos bens que dizem respeito à identidade da cidade. E, para que a preservação seja efetiva e reconhecendo esse ponto em comum, estão acontecendo reuniões com todos movimento interessados na discussão não só na salvaguarda o patrimônio, mas também em propor políticas públicas que criem incentivos aos proprietários de tais bens.
Isso é importantíssimo: a união dos movimentos! Pois só desta forma será possível gestionar junto aos nossos representantes, sejam do executivo ou do legislativo, a proteção e a promoção do patrimônio cultural brasileiro, como determina nossa constituição. Temos que abrir esse canal de comunicação, mas para isso precisamos ser muitos. O momento não pode ser melhor. Os movimentos estão tendo a percepção da convergência de forças, além de ser um ano eleitoral, um ano de escolhas.
No dia 26 de maio, no Leopoldina Juvenil, houve um encontro dos movimentos, chamados pelo Moinhos Vive. Compareceram representantes da Associação do Moradores do Centro, do Petrópolis Vive, do Tombamento do Ipa, de Teresópolis, do Chega de Demolir Porto Alegre, da Defender, entre outros.
A próxima reunião já está marcada. Será no dia 02 de junho, no salão Boa Vista do Leopoldina Juvenil, às 19h30. Participe e divulgue! Clique aqui para acessar a página do encontro.

Fontes:
http://metodistaconfessante.blogspot.com.br/2014/04/imovel-do-colegio-americano-porto.html
http://protejapetropolis.blogspot.com.br/
http://www.sul21.com.br/jornal/ameaca-de-leilao-mobiliza-comunidade-do-colegio-americano-para-tombamento-da-escola-em-porto-alegre/
http://moinhosvive.blogspot.com.br/
http://defender.org.br/

terça-feira, 20 de maio de 2014

Petrópolis e Patrimônio Cultural

Trago o texto da jornalista e ativista Tania Faillace sobre questões de patrimônio:

fonte: http://www.mprs.mp.br/imprensa/noticias/id17329.htm

Com respeito à polêmica de preservação do patrimônio cultural do bairro Petrópolis, envio, em anexo, o folheto que está sendo distribuído pelo movimento defensor do patrimônio cultural da cidade, naquele bairro.
A ganância especulativa chegou a um ponto, nesta capital, que não respeita sequer o bom senso, e, portanto, optou por criar um estado de espírito artificial de incêndio na floresta, como se estivessem todos a caminho de desapropriações em massa a preço vil, quando o caso é justamente o contrário: valorizar o patrimônio imobiliário dos cidadãos pelo acréscimo de seu valor cultural.
A idéia geral, como alguns empresários do setor deixaram escapar na saída da reunião no CMDUA que apresentou a listagem, é DEMOLIR TUDO. 
Se pudessem, também demoliriam a Catedral, a Igreja das Dores, o Palácio do Governo, o Museu Júlio de Castilhos e outras velharias, segundo a ótica de que uma cidade é apenas um somatório de títulos financeiros e créditos furados. 
Pois... se há uma proposta já enunciada da empreiteira norteamericana que se oculta com um nome brasileiro, de demolir o Colégio IPA para fazer ali um super-espigão justamente em cima da piscina, como revelaram os portavozes do movimento de ex-alunos para o tombamento daquela escola na reunião ontem de vários bairros pelo movimento Moinhos Vive... de que mais se pode duvidar?
Os açorianos não chegaram aqui e se instalaram lá pelo século XVII ou XVIII, para alguns especuladores fazerem terra arrasada de sua memória, de suas lutas e da história de Porto Alegre dos Casais, integrada à formação da província e posteriormente do estado do Rio Grande do Sul . 
Ainda por cima, especuladores sem vinculação com os valores da cultura sulina... foi assim que se criou a bolha imobiliária norteamericana em 2008, aquela que se espalhou pelo mundo.
Cidade é abrigo, convivência e memória, não é um par de dados a ser jogado e aceitar apostas. 
Tania Jamardo Faillace

sábado, 10 de maio de 2014

Projeto de Lei sobre alteração na lei municipal de inventário

Como reação à publicação da listagem de imóveis inventariados do bairro de Petrópolis, o vereador Idenir Cecchim propôs projeto de lei que altera o Art. 3º da lei Dispõe sobre o Inventário do Patrimônio Cultural de Bens Imóveis do Município (Lei 601/2008):
Art. 3º Será dada ciência de inclusão de imóveis no Inventário do Patrimônio Cultural de Bens Imóveis do Município ao Poder Legislativo no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, a partir da homologação do Prefeito Municipal.
Foto: Farrapo

A alteração prevê a necessidade de autorização do Poder Legislativo para a listagem. Conforme explica o vereador, “As listas, antes de homologadas, passariam pelas comissões e por audiências públicas". Foram feitos dois pareceres, na Câmara de Vereadores, que analisam a juridicidade, legalidade e constitucionalidade do projeto de lei. Ambos foram favoráveis. Ocorre, entretanto, que tais pareceres apenas investigaram a competência do município para legislar sobre matérias locais e se apegam ao direito de propriedade. Mas existem outros entendimentos sobre o assunto.
O primeiro deles é que o direito de propriedade não é absoluto e está subordinado à sua função social, conforme rege nossa lei maior, a Constituição Federal. As casas inventariadas constituem patrimônio cultural da cidade e essa é uma de suas funções. Assim, é preciso harmonizar esses valores, sem o sacrifício total de um dos lados. Uma política pública de preservação destes bens seria importantíssima nesse sentido. Através dela, poderiam ser criadas linhas de crédito vantajosas aos proprietários e a instituição de núcleos profissionalizantes de profissionais capacitados para trabalharem com o patrimônio cultural, por exemplo. Por outro lado, preserva o direito da população ao pleno exercício dos direitos culturais, valor constitucional, além de proteger a memória e identidade das diferentes comunidades.
Outro ponto a ser considerado é que, mesmo aquelas propriedades que não têm valor histórico e/ou cultural, estão submetidas às regras do Estado. Basta lembrar que, para alguns tipos de reformas ou ampliações em nossos imóveis, precisamos autorização municipal. No caso das casas inventariadas, elas precisam de orientação técnica para que sejam mantidas as características que as fazem serem exemplares dignos de preservação. Nada impede que sejam reformadas, utilizadas para fins comerciais, alugadas ou vendidas. Diz a lei: 
Poderá ser autorizada, mediante estudo prévio junto ao órgão técnico competente, a demolição parcial, a reciclagem de uso ou o acréscimo de área construída, desde que se mantenham preservados os elementos históricos e culturais que determinaram sua inclusão no Inventário do Patrimônio Cultural de Bens Imóveis do Município (grifo nosso).
Em relação à competência do município para legislar sobre matérias de interesse local, ponto ao qual se apegam os pareceres, está correto. Mas esse não é o objeto em questão. Estamos falando de divisão de competências entre os três poderes (legislativo, executivo e judiciário). É competência do Poder Executivo o registro dos bens culturais. É ato administrativo, que deve obedecer às exigências legais pertinentes como publicidade, motivação e legalidade, entre outros. Logo, a inconstitucionalidade do projeto de lei está na ingerência do poder legislativo sobre o executivo.
Fora esse vício constitucional, ocorre discussão semelhante à havida há pouco tempo sobre outro projeto de lei que versava sobre a inclusão de obra de arte em espaço público da cidade condicionada à aprovação na Câmara de Vereadores. Estamos novamente às voltas com a questão de critérios. Para Cecchim, "os critérios atuais são muito subjetivos, o que tem gerado dúvidas na comunidade". Na verdade, existe uma equipe técnica e especializada em patrimônio (EPAHC) que é responsável pela realização do inventário. E, para que se proceda à listagem, são observados critérios bem específicos e aceitos mundialmente por tratados de preservação, conservação e restauro. Logo, essa justificativa é equivocada. Posição semelhante tem o presidente do IAB-RS, Tiago Holzmann da Silva: “Nós somos totalmente contrários que os critérios passem pela aprovação Câmara de Vereadores”. De acordo com ele, a medida proposta no projeto de lei submete o patrimônio histórico da cidade a interesses políticos e eleitorais.
Assim, gostaríamos de convidar todos os interessados na preservação do patrimônio cultural de Porto Alegre a comparecerem na quarta-feira, dia 14 de maio, a partir das 14h, na Câmara de Vereadores, onde ocorrerá a votação do projeto em questão. Cabe lembrar que a tramitação de tal proposição está ocorrendo em regime de urgência, o que é temerário, dada a importância do tema e profundidade de suas consequências. 

Fontes: http://defender.org.br/noticias/rio-grande-do-sul/porto-alegre-rs-projeto-preve-autorizacao-da-camara-para-inventariar/
                   http://protejapetropolis.blogspot.com.br/
                   http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1071573

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Inventário de Petrópolis & informação

       A polêmica do inventário de Petrópolis tem propiciado intensas discussões, muitas vezes, baseadas em informações incompletas ou, até mesmo, falsas. Um grupo de moradores favoráveis ao inventário acredita que apenas o conhecimento bem consistente do assunto poderá, enfim, proporcionar o entendimento do real alcance dos resultados do inventário. Para auxiliar a esclarecer a comunidade, escreveram um pequeno panfleto com subsídios sobre o assunto, que está sendo distribuídos pela vizinhança. Abaixo, reproduzimos o documento:


- Durante aproximadamente 6 meses, entre 2012 e 2013, arquitetos e urbanistas especialistas em conservação e restauração de Monumentos e Sítios Históricos contratos pela EPAHC realizaram um extenso trabalho de coleta e análise de dados sobre os imóveis mais significativos do bairro Petrópolis. Deste estudo, foram classificados inicialmente mais de 700 imóveis. Após seminários internos, a Equipe de Patrimônio Histórico Cultural - EPAHC reavaliou toda a lista, resultando no registro dos pouco mais de 300 imóveis, considerando os critérios de valor arquitetônico (morfológico), valor cultural (histórico) e valor paisagístico.
 
-Os imóveis listado, em quase sua totalidade são casas das décadas de 40, 50 e 60, representativas do início do loteamento e urbanização da região, são imóveis característicos das classes média e alta da época, cuja arquitetura privilegia os estilos colonial espanhol/californiano, art decó e até modernista.

- Além de casas, a listagem protege também o meio ambiente, pois vem ao encontro da preservação de árvores e da avifauna que habita os jardins, pátios e calçadas das edificações inventariadas.

- Ocorre que este patrimônio cultural e ambiental está em risco, porque alguns proprietários de casas inventariadas apoiados e/ou insuflados pelo setor da Construção Civil estão articulados para anularem ou revogarem o inventário de proteção dos bens.


Para ampliar o esclarecimento, o grupo criou um blog e está contactando outros movimentos de bairros para troca de informação e fortalecimento da cidadania. Maiores informações são encontradas no blog Proteja Petrópolis (clique aqui). Lá é possível encontrar informações sobre o inventário, fotos de alguns imóveis que estão sendo preservados e assinar o abaixo assinado pela preservação de nosso patrimônio.
Ajude a divulgar, acesse à informação, exerça sua cidadania.



terça-feira, 8 de abril de 2014

Inventário de Petrópolis: carta de um morador ao EPAHC

                 Nas últimas semanas, um assunto tem causado polêmica na cidade. A listagem de imóveis inventariados que, a partir disso, recebem proteção. O bairro de Petrópolis teve cerca de 300 imóveis nessas condições, o que reflete não só a preocupação do município com a preservação do patrimônio cultural da cidade, mas também com a qualidade de vida. Abaixo, transcrevo a carta de um morador de Petrópolis, que traz argumentos contra a indignação de alguns proprietários, que receberam informações de pessoas ligadas à construção civil e que, por óbvio, tem interesses opostos à preservação das edificações.

Aproveito e deixo o convite para que se engajem na luta pela preservação da memória de Porto Alegre, assinando e ajudando a divulgar o abaixo-assinado de apoio ao Inventário de Petrópolis. Para assinar, clique INVENTÁRIO DE PETRÓPOLIS.



Foto de Isadora Quintana: Casa da Estrela – Rua Camerino, 34 (Jornal Mais Petrópolis)

Ao EPAHC. 

Espero conseguir chegar à equipe através deste e-mail.

Sou morador do bairro Petrópolis, advogado e servidor público de município da região metropolitana. 

Resido em Petrópolis há mais de 30 (trinta) anos, sou proprietário de casa no bairro e minha família também é proprietária de outra casa na região. Temos, portanto, 2 (dois) imóveis (casas) no Petrópolis.

Assim, é com satisfação que parabenizo o trabalho de inventário de imóveis do bairro e registro o meu apoio à medida administrativa em comento, cujos reflexos vão muito além da simples preservação de imóveis, eis que vem em encontro à preservação da paisagem, da cultura, da arquitetura, do ar, da avifauna e do trânsito e espaço público no bairro, contribuindo sobremaneira para a qualidade de vida em Porto Alegre. 

Contudo, infelizmente, tenho observado irresignação de alguns proprietários de imóveis abarcados pelo inventário. 

A contrariedade em questão, pelo que observei de debates em fóruns da internet e, sobretudo, em recente encontro na Praça Mafalda Veríssimo, restringe-se a alguns proprietários (em um número que não chega a 20% do número de bens inventariados), muitos, em geral, idosos, que temem por desvalorização, argumento este instigado por integrantes da construção civil infiltrados no grupo, apoiados por políticos que encontraram na questão uma oportunidade para exposição junto a este grupo de moradores. 

Preocupa-me que uma movimentação deste tipo, possa alcançar outros proprietários e outros segmentos da sociedade, considerando-se a fragilidade de muitos que se deixam levar por argumentos referentes à alegada desvalorização dos bens e do entorno.  

Petrópolis tem suas peculiaridades que lhe caracterizam e merecem ser preservadas. Ainda há no bairro muito a ser preservado, características estas que mesmo a explosão imobiliária das últimas décadas não conseguiu descaracterizar, destarte, é fundamental a medida do inventário que mantém o que há de mais importante para Petrópolis continuar existindo com suas características próprias e tão valorizadas.

Na verdade, uma visão mais acurada, claramente demonstra que o inventário não implicará em desvalorização para os proprietários das casas objeto da listagem.

Isso porque, Petrópolis jamais deixará de ser requisitado e valorizado justamente por manter suas características originais, ruas arborizadas, casas ajardinadas, árvores frutíferas nos pátios, arquitetura de casas modernistas, art. déco e colonial espanholas/californianas em conjuntos de residências, que se encontram, sobretudo, no eixo Av. Protásio-Av.Ipiranga. 

Estas casas são referências do bairro, que somados à localização privilegiada e natureza mista e autônoma - residencial/comercial - caracterizam e valorizam a região; some-se a isso, a própria existência dos edifícios das últimas décadas, os prédios de alto padrão. Isso porque, não se pode negar que, ressalvadas exceções, algumas das novas edificações acabaram por valorizar o bairro, conferindo-lhe movimento e refinamento.

Entretanto, a construção desses prédios deve ser moderada, de modo a respeitar as características originais do bairro que o valorizam e, neste contexto, é que sobrevém com perfeição a figura do inventário dos imóveis. 

Ou seja, Petrópolis se valoriza com os inventários, pois permanece aberto às modernizações e alterações. Isso porque, não obstante o inventário de algumas casas, há muita área ainda para se edificar no próprio bairro, cabe lembrar que é dos maiores bairros da capital, mas garantindo sua sobrevivência com reserva de suas características que o fazem admirado e requisitado para moradia. 

As casas inventariadas como de estruturação e compatibilização, ademais, não implicam na tão alardeada desvalorização.

Não há dúvida, mas poucos ainda têm esta visão em Porto Alegre, de que tais imóveis oferecem muito mais recursos que os apartamentos de meio metro quadrado vendidos por centenas de milhares de reais por oferecerem piscina ofurôs, academia e demais itens comunitários, além da alardeada falsa segurança. 

Esta ideia de que as casas valem unicamente pelo terreno e não pela qualidade de vida que proporcionam é situação há anos trabalhada pela construção civil no fito de levantar terrenos para mais e mais construções, pensamento este que, infelizmente, está arraigado em muitos proprietários de casas, sobretudo os menos atentos à astúcia dos especuladores do mercado imobiliário.  

De mais a mais, a partir do inventário, fica a segurança de que não haverá, frente às casas inventariadas, desvalorização proveniente de lote lindeiro, tal qual ocorrido com muitas residências e até edifícios, maculados por construções vizinhas que lhe tiraram a claridade, privacidade e conforto.

Cabe lembrar, que muitos proprietários de casas já se depararam com seus bens cercados por edificações construídas nas divisas ou em altura desproporcional onde antes havia pátio com farta vegetação, tolhendo-se a iluminação, estética e privacidade, ocasionando – este fato sim – expressiva desvalorização imobiliária do bem. 

Perdurando o inventário, o mercado continuará buscando o bairro Petrópolis, justamente pela preservação de suas características que o fazem visado, para os quais, sem dúvida, as casas inventariadas em muito contribuem.


Com isso, se valorizarão todos os imóveis existentes no bairro, em decorrência de um princípio mercadológico básico, qual seja: a diminuição da oferta frente ao contínuo aumento da demanda por moradias no bairro. Assim, as casas retornarão a ser valorizadas como bens aptos à atualização e restauração para fins de moradia e ainda, se estará evitando a saturação de imóveis e trânsito nesta região. 


De outra banda, não prospera qualquer argumento de que Petrópolis ficará abandonado ou estagnado, pois há muito já detém autonomia, comércio e elevado fluxo de pessoas e veículos decorrentes do grande número de edificações multifamiliares que vêm sendo construídas na região e do aumento de áreas reservadas à atividade profissional e comercial. 

Por sua vez, com a limitação de novas construções nas áreas inventariadas, as casas por sua condição de imóveis de estruturação ou compatibilização, estarão resguardadas de depreciações oriundas de construções em lotes contíguos e se ressaltarão como opção para investimento de moradia familiar e não apenas como um conjunto de lotes aptos à demolição e construção de edifício.

Ainda, os imóveis já existentes, casas e apartamentos, não listados, por estarem inseridos neste contexto de área preservada terão seus valores maximizados.

Em suma todos ganham e ganha a qualidade de vida da capital. 

Att.,

Álvaro Jôffre Souza Arrosi.